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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A personalidade influencia a assimilação?

Com certeza, entre diversos outros fatores, a personalidade tem grande peso na capacidade de assimilação de um novo idioma. Aqui coloquei alguns fatores que dificultam uma boa assimilação:


•Perfeccionismo: tendência de se preocupar excessivamente com a forma; idéia radicalizada do conceito de certo e errado em se tratando de línguas. A pessoa não se sente confortável na incerteza e prefere não correr riscos de cometer deslizes.
•Falta de autoconfiança: baixa auto-estima, talvez causada por traumas durante a educação recebida em casa ou na escola, pode produzir carência de autoconfiança que inibe a iniciativa criativa, elemento essencial no aprendizado de línguas.
•Dependência da eloqüência: A precisão e elegância no falar é uma conquista alcançada ao longo da vida, fruto de uma carreira acadêmica. Essa habilidade com nossa língua materna representa segurança e poder, dos quais é difícil abrir mão. Isso torna a tarefa de começar de novo na língua estrangeira, do quase nada, aos tropeços, de forma rudimentar, como se pouco inteligentes fôssemos, extremamente frustrante.
•Autoconsciência: consciência da própria imagem; preocupação excessiva com o que os outros podem pensar de si.
•Ansiedade: causada pela expectativa excessiva de obtenção de resultados. A atitude ideal face ao desafio de se assimilar uma língua estrangeira, é a de perseverança e continuidade.
•Provincianismo: apego excessivo à identidade lingüística e cultural; forma extrema de monocultura. Atitude de se fechar naquilo com que se identifica, seu jeito de ser e de falar; de se sentir inseguro fora deles - problema freqüentemente observado em adolescentes.

Por outro lado, a auto-estima, a autoconfiança, a desinibição, a criatividade (habilidade de improvisação), a tolerância consigo próprio, a empatia, a curiosidade e a perseverança são características que pesam como fatores positivos para o aprendizado. Se você acha que não está "munido" de todas essa virtudes, ao menos saiba que sim, é possível trabalhar, psicologicamente, cada um deles. Primeiro busque entender qual ou quais deles podem estar dificultando o seu aprendizado e então busque as razões pelas quais esses sentimentos ou pensamentos ocorrem. Claro que em casos mais específicos o ideal seria ter a ajuda de um analista, porém, saber o que se passa com as suas emoções já é um primeiro passo para poder controlá-las ( quase que continuo esse post com um looongo texto sobre psicologia - outra de minhas muitas paixões - mas acho que já está na hora de PARAR rss., o recado está dado).

Talento para Línguas, por que uns têm mais e outros menos?

O maior ou menor ritmo de assimilação da língua estrangeira pode depender de inúmeros fatores. Veja os principais fatores que influenciam o aprendizado de línguas, determinando as diferenças de ritmo e de teto.

IDADE: Um dos fatores mais notórios é a idade. Por razões de ordem biológica e psicológica, quanto mais cedo, melhor. O ritmo de assimilação das crianças não só é mais rápido, como seu teto, mais alto. Veja mais sobre este assunto em: Por que crianças aprendem melhor?

FORMAÇÃO LINGÜÍSTICA: Outro fator de peso é a formação lingüística da pessoa, isto é, o grau de semelhança que a L1 (língua materna) do aluno tem com a L2 (língua-alvo). A semelhança lingüística normalmente vem acompanhada de semelhança cultural. É evidente por exemplo a facilidade com que alemães, holandeses, dinamarqueses e suecos aprendem inglês. Mesmo brasileiros demonstram para a língua inglesa uma facilidade muito superior a japoneses e chineses, por exemplo.

VERSATILIDADE LINGÜÍSTICA: As vezes a língua-alvo é a terceira língua do aluno. Este é outro fator de decisiva importância. Os monolíngües demonstram uma forte dependência das formas da língua materna para estruturarem seu pensamento, ao passo que os bilíngües demonstram maior versatilidade mental. Aquela mente que já uma vez passou pela experiência de buscar e descobrir novas formas de expressar o pensamento , consegue repetir esta façanha com mais facilidade. Esta maior versatilidade lingüística é normalmente acompanhada de uma maior versatilidade cultural, facilitando a identificação com a cultura alvo.

ACUIDADE AUDITIVA: Este é um fator biológico de importância fundamental. Não só a percepção mas também a articulação de sons dependem diretamente do aparelho auditivo, uma vez que o ouvido funciona como monitor da fala.
É sabido também que a capacidade auditiva pode variar consideravelmente de uma pessoa para outra. Quem não dispõe de boa audição, portanto, leva desvantagem da mesma forma que uma pessoa de baixa estatura estaria em desvantagem para se tornar um bom jogador de basquete.

PERSONALIDADE: Fatores de ordem psicológico-afetiva podem causar um impacto direto na capacidade de aprendizado, influindo tanto positivamente como negativamente. Pessoas introvertidas e reservadas, por exemplo, normalmente mostram um ritmo de assimilação mais lento, principalmente na produção oral, pelo simples fato de se exporem menos e evitarem muitas das oportunidades de comunicação com que se defrontam quando em ambientes da língua estrangeira

MEMÓRIA: Depende de fatores biológicos e psicológicos, mas vai depender muito também de fatores externos. Pesquisas sobre memória indicam que retemos bem aquelas experiências que nos concernem diretamente e nas quais tivemos participação direta. Ao contrário, esquecemo-nos com facilidade o que é neutro, mal estruturado, ou pouco significativo.
Assim como a química é melhor aprendida em laboratório do que na sala de aula, assim também as formas (palavras, expressões) da língua estrangeira ficarão mais facilmente retidas na memória se aprendidas em situações reais de comunicação, em vez de aprendidas num ambiente descontextualizado de uma sala de aula. Por isso sempre insistimos em aprender por meio de filmes, músicas, livros e vídeos!! Lembre-se sempre dessa importante dica!!!

DISPONIBILIDADE MENTAL: Um pessoas cheia de preocupações de ordem familiar, profissional e financeira apresenta, sem dúvida, menor disponibilidade mental, e conseqüentemente, menor a capacidade de memória e ritmo de assimilação.

MOTIVAÇÃO: A motivação é uma força interior propulsora, de importância decisiva. Assim como aprendizado em geral, o ato de se aprender línguas é ativo e não passivo. Por isso, a motivação do aprendiz no aprendizado de línguas é um elemento chave. Motivação está ligada ao desejo de se satisfazer necessidades. O ser humano é um animal social por natureza e, como tal, tem uma necessidade absoluta de se relacionar com os outros de seu ambiente. Essa tendência integrativa da pessoa é o principal fator interno ativador da motivação para muitos de seus atos. Por exemplo, se estivermos em um ambiente caracterizado pela presença de uma língua estrangeira, naturalmente teremos uma forte e imediata motivação para assimilarmos essa ferramenta que nos permite interagir no ambiente, dele participar e nele atuar. Aprender uma língua fora do ambiente de sua cultura seria como aprender a nadar fora d'água. A desmotivação, por outro lado, é a ausência de desafio e de motivo espontâneo, freqüentemente agravada pela frustração de não se ter alcançado proficiência através do estudo formal ou pelo insucesso em sistemas de avaliação (exames, notas, etc.). Experiências anteriores de resultados negativos, podem desencorajar o aluno de uma nova tentativa. Também aquele que não se identifica com a cultura estrangeira, - ou que às vezes até a despreza, - normalmente por falta de informação a respeito da mesma, estará desmotivado a aprender sua língua.

INDEPENDÊNCIA: O pleno desenvolvimento da competência na língua estrangeira ocorre quando o aprendiz, além de ser movido por um interesse ou necessidade pessoal, assume o controle de seu próprio destino neste processo, adquire consciência de suas habilidades e de suas limitações, e desenvolve uma estratégia que consegue tirar vantagem de suas habilidades e compensar suas limitações. Portanto, independência em relação a professores e programas é, no plano psicológico, um elemento fundamental.

TEMPO DE DEDICAÇÃO E GRAU DE ENVOLVIMENTO: Não só o tempo de contato, mas também o grau de envolvimento afetivo e psicológico por ocasião do contato, terá influência decisiva. Por exemplo, se o aluno estiver conversando com algum estrangeiro, quanto maior o envolvimento afetivo com essa pessoa, ou quanto maior o grau de interesse pela conversa, tanto melhor a assimilação. Se o contato for com texto escrito, se o aluno estiver tentando ler um texto em inglês, quanto maior for o interesse do aluno pelo assunto, tanto maior sua assimilação.

CONCLUSÃO: Programas de ensino de línguas serão mais eficazes se oferecerem ambientes autênticos que estimulem a motivação e serão menos eficazes se predeterminarem o mesmo ritmo para todos. Devem levar em consideração diferenças individuais, permitindo que cada um construa seu desenvolvimento de acordo com seu talento, motivação e disponibilidade. Ou seja, devem saber explorar o talento dos mais rápidos, bem como respeitar o ritmo de assimilação daqueles que precisam de mais tempo.


Texto adaptado. Fonte: http://www.sk.com.br/sk-talen.html

sábado, 13 de agosto de 2011

Poliglotas com personalidade múltipla?

Se você fala vários idiomas, você pode ter múltiplas personalidades. Foi o que sugeriu uma reportagem em um boletim sobre Psicologia Social e Personalidade (Personality and Social Psychology Bulletin), por psicólogos de Hong Kong da Polytechnic University . Eles perceberam, após um estudo, que os estudantes nativos chineses que eram fluentes em Inglês demonstravam uma personalidade mais assertiva, extrovertida e aberta a novas experiências , traços freqüentemente associados aos ocidentais,
A etnia do entrevistador importava também. Em qualquer idioma, quando o entrevistador era do Cáucaso, os observadores avaliaram os estudantes como mais extrovertidos, assertivos e abertos a novas experiências , isso em comparação com quando eram abordados por um entrevistador chinês.

Os autores da pesquisa sugeriram também que as personalidades não são fixas pois podem ser influenciadas tanto pela língua que uma pessoa está falando quanto pela nacionalidade da pessoa com quem ela está se comunicando, ou seja, eles defendem a idéia de que seria possível assumir os traços de personalidade da cultura associada à língua aprendida ou à pessoa com a qual estamos nos relacionando.
Nesse caso a hipótese inicial da pesquisa me pareceu mais plausível..... e até arrisco dizer que concordo, pois a idéia não fica tão absurda quando paramos para pensar no que as pessoas costumam comentar sobre os idiomas : “francês não é pra mim, é coisa de gente metida.. aqueles biquinhos são coisa de gente fresca..”(franceses arrogantes) , inglês é a língua mais falada do mundo, a língua do país das 1001 possibilidades, lá podemos tudo...., ( americanos poderosos) E vocês já devem ter escutado alguns comentários sobre o nosso português, certo? “É uma língua tão linda, soa como música ( essa ouvi de um norueguês).. suave e amigável”. Já o alemão é uma língua fechada e sisuda assim como o russo.. você consegue se imaginar conversando em alemão da mesma forma como conversaria em espanhol ou inglês? Parando para pensar tudo parece mesmo mais plausível!! Voilá!!! ;)

Texto traduzido e adaptado para o BabeLL Funnn
Fonte: http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=speaking-with-affect