Mostrando postagens com marcador Filtro Afetivo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filtro Afetivo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Stephen Krashen : Aquisição e Aprendizagem


Quem gosta da área, com certeza já deve ter escutado esse nome várias vezes! Stephen Krashen. É linguista renomado, professor da University of Southern California (USC), e pesquisador da área de educação,  Linguística aplicada, na área de aquisição de segunda língua, e educação bilíngue . Ele é mais conhecido pela sua de Teoria da Aquisição da Segunda Língua e por ter sido cofundador do que chamam de Abordagem Natural à aprendizagem de línguas estrangeiras.

Krashen defende que a aprendizagem ocorre de forma natural, exatamente como ocorre com a nossa língua materna. Pra ele,  o mesmo ocorre com as línguas estrangeiras, ou seja, elas não são habilidades ensinadas, estudadas ou memorizadas, mas sim assimiladas e desenvolvidas gradativamente, de forma natural, em situações reais de comunicação, fruto de convívio humano em ambientes autênticos da cultura estrangeira.
Segundo sua teoria, uma pessoa pode desenvolver a competência em uma segunda língua através da aquisição ou da aprendizagem. A aquisição seria a forma natural, subconsciente,  e a aprendizegem seria a forma consciente,  a que temos em salas de aula. A aquisição então é que seria mais eficiente, pois ela se dá de forma semelhante à que a criança utiliza para desenvolver a primeira língua, ou seja, de forma subconsciente, natural, ocorrendo em situações comunicativas no mundo real. Normalmente, a criança não está consciente do fato de que está adquirindo a linguagem, mas está consciente de que a está utilizando para a comunicação, embora não tenha preocupações de acerto com relação às regras gramaticais.  Isso que seria o ideal, preocupar-se em compreender as mensagens que se recebe e envia e não com as regras gramaticais. Essas podem ser "acertadas" mais tarde, depois que já tivermos mais base e tranquilidade para nos comunicar na nova língua.

Resumindo, os melhores métodos são, então,  por meio de "input" (você pode ver um outro post explicando melhor sobre input e output + dicas aqui no Babel Fun - procure em marcadores) , quando recebemos a mensagem de forma compreensível, em situações de baixa ansiedade, e com mensagens que realmente queremos ouvir, pois dessa forma nosso cérebro estará focado em compreender a mensagem assim como fazemos quando aprendermos a língua-materna. Estes métodos são eficientes  porque não forçam a produção (falar e escrever = output)  no início da segunda língua, mas permitem que os alunos só produzam quando são 'prontos'. Essa teoria reforça assim a idéia de que um aprendizado realmente eficiente só acontece quando se oferece subsídios para isso, e não quando se forçam os alunos a decorarem vocabulário, regras gramaticais, e a falarem e escreverem. A pessoa deve ter base ( após muita leitura e escuta), e quando a tem fica muito mais fácil falar e escrever, reduzindo uma das maiores barreiras ao aprendizado, a insegurança e o medo de errar ( aqui no blog também coloquei um post sobre barreiras psicológicas e a influência da personalidade no processo de aprendizado).

Krashen defende ainda a idéia de que, para adquirir uma língua, a pessoa deve ser exposta a amostras de linguagem que estejam em um nível ligeiramente de suas habilidades, como se subissem degraus de uma ( para quem gosta de psicologia, essa é uma teoria semelhante à que foi foi desenvolvida por Vygotsky, com suas Zonas de Desenvolvimento Proximal).
E para a  teoria da Abordagem Natural, Krashen adicionou a idéia de que os filtros afetivos ou barreiras emocionais devem ser baixados para que a aprendizagem aconteça.

Texto adaptado.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A personalidade influencia a assimilação?

Com certeza, entre diversos outros fatores, a personalidade tem grande peso na capacidade de assimilação de um novo idioma. Aqui coloquei alguns fatores que dificultam uma boa assimilação:


•Perfeccionismo: tendência de se preocupar excessivamente com a forma; idéia radicalizada do conceito de certo e errado em se tratando de línguas. A pessoa não se sente confortável na incerteza e prefere não correr riscos de cometer deslizes.
•Falta de autoconfiança: baixa auto-estima, talvez causada por traumas durante a educação recebida em casa ou na escola, pode produzir carência de autoconfiança que inibe a iniciativa criativa, elemento essencial no aprendizado de línguas.
•Dependência da eloqüência: A precisão e elegância no falar é uma conquista alcançada ao longo da vida, fruto de uma carreira acadêmica. Essa habilidade com nossa língua materna representa segurança e poder, dos quais é difícil abrir mão. Isso torna a tarefa de começar de novo na língua estrangeira, do quase nada, aos tropeços, de forma rudimentar, como se pouco inteligentes fôssemos, extremamente frustrante.
•Autoconsciência: consciência da própria imagem; preocupação excessiva com o que os outros podem pensar de si.
•Ansiedade: causada pela expectativa excessiva de obtenção de resultados. A atitude ideal face ao desafio de se assimilar uma língua estrangeira, é a de perseverança e continuidade.
•Provincianismo: apego excessivo à identidade lingüística e cultural; forma extrema de monocultura. Atitude de se fechar naquilo com que se identifica, seu jeito de ser e de falar; de se sentir inseguro fora deles - problema freqüentemente observado em adolescentes.

Por outro lado, a auto-estima, a autoconfiança, a desinibição, a criatividade (habilidade de improvisação), a tolerância consigo próprio, a empatia, a curiosidade e a perseverança são características que pesam como fatores positivos para o aprendizado. Se você acha que não está "munido" de todas essa virtudes, ao menos saiba que sim, é possível trabalhar, psicologicamente, cada um deles. Primeiro busque entender qual ou quais deles podem estar dificultando o seu aprendizado e então busque as razões pelas quais esses sentimentos ou pensamentos ocorrem. Claro que em casos mais específicos o ideal seria ter a ajuda de um analista, porém, saber o que se passa com as suas emoções já é um primeiro passo para poder controlá-las ( quase que continuo esse post com um looongo texto sobre psicologia - outra de minhas muitas paixões - mas acho que já está na hora de PARAR rss., o recado está dado).

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Qual a melhor idade para aprender uma 2ª língua?

Segundo pesquisas, a melhor fase da vida para aprender um segundo idioma, com ótimo desempenho de pronúncia e fluência, é a infância. 
 
Nessa fase, o cérebro está em pleno desenvolvimento, o que facilita a construção de novas habilidades. Portanto, qualquer criança que não apresente nenhum déficit neurológico tem capacidade de aprender a falar um outro idioma ao qual for exposta, independentemente de sua nacionalidade. A esse período de maior aprendizagem dá-se o nome de "período crítico". Vários são os defensores desse conceito. Em média, os estudiosos afirmam que a melhor idade para o aprendizado de línguas estrangeiras situa-se entre os 4 e os 10 anos de idade. Acredita-se que nessa fase, pelo fato de a língua materna ainda não estar firmemente estruturada e fixada, ela não interfere no processo de aprendizagem.

Existem diversos fatores que ajudam a explicar o fenômeno da idade crítica. Segundo Stephen Krashen, um dos pioneiros do movimento comunicativo de aprendizagem, existem algumas hipóteses que explicam a aquisição de uma segunda língua, como por exemplo:

1) Aquisição X aprendizagem
Uma pessoa pode desenvolver a competência em uma segunda língua através da aquisição ou da aprendizagem. A aquisição se dá de forma semelhante à que a criança utiliza para desenvolver a primeira língua, ou seja, de forma subconsciente. Normalmente, a criança não está consciente do fato de que está adquirindo a linguagem, mas está consciente de que a está utilizando para a comunicação, embora não tenha preocupações de acerto com relação às regras gramaticais.
Já a aprendizagem refere-se ao conhecimento consciente de uma segunda língua e da utilização de suas regras. É o que se chama de conhecimento formal da língua; é o aprender sobre a língua.

2) Input
Durante a aquisição, o aluno passa por estágios nos quais recebe "linguagem", que de certa forma está sendo colocada "dentro do aluno". Depende dele aceitar recebê-la ou não. A isso se dá o nome de input. O input pode advir do professor, dos materiais e dos próprios colegas. Ele deve ser compreensível, mas sempre um pouco acima do seu nível de competência para que ocorra a aquisição da língua. Também pode ser utilizado um discurso simplificado caracterizado por uma velocidade mais lenta, repetição, etc. para que possa ocorrer a comunicação. O aluno progride de forma natural.

Dessa forma, conclui-se que os ambientes de convívio da criança são mais propícios ao aprendizado de línguas e que a função do professor é a de tornar o input compreensível, promovendo situações nas quais a comunicação seja necessária (caso contrário, não haverá aquisição).

Assim, o foco é a mensagem e a comunicação. O aluno não está preocupado com o "como dizer", mas sim com o "o que dizer". Porém, da qualidade e quantidade do input recebido pelo aluno depende a sua produção lingüística.

3) Filtro afetivo
O filtro afetivo está relacionado à motivação, ansiedade e autoconfiança. Eles impedem ou facilitam o recebimento de input. Portanto, influem no processo de aquisição de uma língua mais do que no de aprendizagem. Isso explica porque pessoas expostas a uma grande quantidade de input às vezes não atingem o nível desejado e esperado.

Portanto, a situação ideal para ensino seria aquela que:
  • causa menos ansiedade, falta de autoconfiança e inibição, ou seja, encorajando a diminuição das barreiras psicológicas;
  • motiva o maior número de alunos;
  • desenvolve atitudes receptivas à aprendizagem, favorecendo a busca e recepção de input.
Fica claro e evidente que as crianças têm uma capacidade de assimilação superior a dos adultos, já que estão livres de bloqueios inerentes aos adolescentes e, principalmente, adultos, devido ao ritmo de vida que possuem.

Lateralização do cérebro
Há, no entanto, outras explicações para a questão da idade crítica. Segundo alguns estudiosos, uma delas é a da lateralização do cérebro.
De acordo com pesquisas na área da neurologia, no cérebro de uma criança os dois hemisférios estão mais interligados do que no cérebro de um adulto. A assimilação da língua ocorre do hemisfério direito (que é o lado criativo, responsável pelas emoções, percepção e construção de modelos e estrutura de conhecimento) para o hemisfério esquerdo (que é o lado lógico, analítico), tornando-se a habilidade permanente.

Audição precisa e flexibilidade muscular do aparelho articulatório
Podemos também citar outros fatores que ajudam a explicar a marcante superioridade infantil no processo de assimilação de uma língua: a grande capacidade de diferenciar sons e uma maior flexibilidade muscular do aparelho articulatório (cordas vocais, cavidade bucal, língua, etc.). Essa superioridade se mostra, especialmente, com relação à pronúncia e fluência.

Conhecimento acumulado X habilidade assimilada
Uma diferença importante entre a criança e o adulto é que o adulto já possui uma bagagem bem maior de conhecimento acumulado e é capaz de lidar com conceitos abstratos e hipotéticos. Já a criança depende especialmente de experiências concretas. Sendo assim, e sabendo-se que a proficiência lingüística pouco depende de conhecimento acumulado, mas sim de habilidade assimilada na prática, construída através de experiências concretas, explica-se a superioridade das crianças no aprendizado de uma língua.

Conclusão
Várias são as hipóteses e os estudos feitos acerca desse assunto. Mas o que se pode concluir é que as crianças definitivamente assimilam com mais facilidade uma segunda língua, principalmente no que diz respeito à pronúncia e fluência.